A África não está mais disposta a pagar custos de desenvolvimento do Ocidente.


21 de setembro de 2023

“África aquece mais do que qualquer outro continente, 17 dos 20 piores pontos em termos de aquecimento global estão em África; somos os menos responsáveis pelo aquecimento global, mas somos os que carregamos o maior fardo”, disse o chefe de Estado sul-africano na 78.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, que decorre esta semana em Nova Iorque.


“Séculos depois dos escravos, décadas depois da exploração colonial, as pessoas do continente africano continuam a suportar o custo da industrialização do norte e do desenvolvimento das nações mais ricas, mas esse é um preço que os africanos já não estão disponíveis para pagar”, disse Ramaphosa, o líder da nação mais industrializada da África subsaariana.


Na intervenção, lamentou que muitas nações do norte contem entre os seus ativos a riqueza mineral que está debaixo do solo africano, e garantiu que esta riqueza “deve beneficiar os africanos”.

Nos últimos anos, tem havido um crescente debate sobre o papel da África na cena global e sua relação com o Ocidente. Uma questão central que vem à tona é se a África deve arcar com o ônus da industrialização, muitas vezes associado às emissões de carbono e ao impacto ambiental, que historicamente tem sido uma marca registrada do desenvolvimento ocidental. 


A África, rica em recursos naturais e mão de obra, está rejeitando a ideia de que deve seguir o mesmo caminho industrial traçado pelo Ocidente. A crescente preocupação com as mudanças climáticas e o reconhecimento dos danos ambientais causados pela industrialização ocidental levaram muitos líderes africanos a buscar alternativas mais sustentáveis.


Um Desenvolvimento Sustentável Sob Sua Própria Condução


A África, composta por uma variedade de nações com realidades econômicas e ambientais distintas, está buscando seu próprio caminho para o desenvolvimento. Em vez de seguir o modelo de industrialização intensiva em carbono, muitos países africanos estão priorizando soluções sustentáveis. Isso inclui investimentos em energia renovável, agricultura de precisão e tecnologias limpas.


Além disso, a África está forjando parcerias internacionais que favorecem o desenvolvimento sustentável. Acordos com nações que estão dispostas a compartilhar tecnologias e expertise em energia verde estão se tornando mais comuns, refletindo o desejo do continente de evitar os erros do passado.


A África Quer Uma Participação Justa na Economia Global


Outro ponto-chave na discussão é a necessidade de a África ter uma participação justa na economia global. Muitos argumentam que, historicamente, a exploração de recursos e a desigualdade nas relações comerciais entre a África e o Ocidente desfavoreceram o desenvolvimento africano.


Nesse contexto, líderes africanos estão buscando negociações comerciais mais equitativas e parcerias que permitam o acesso aos mercados globais em termos justos. A África busca seu lugar legítimo na economia global, baseado na valorização de seus recursos e em uma abordagem mais igualitária.


Conclusão: A África Traça Seu Próprio Caminho


Em resumo, a África não está mais disposta a seguir passivamente o "custo da industrialização" do Ocidente. O continente está adotando uma abordagem mais consciente do meio ambiente, buscando alternativas sustentáveis e lutando por uma participação justa na economia global. O mundo está observando de perto como a África se torna um protagonista cada vez mais influente nas discussões globais sobre desenvolvimento e sustentabilidade.

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